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Abacaxi não dá em árvore

Data: 15/05/2009

Autor: Gabriel Bitencourt


Há uma história muito pitoresca que ouvi de minha esposa e que sempre gosto de contar. Soube que há muito tempo, um italiano conhecido da família, ao experimentar abacaxi, apaixonou-se por ele. Um dia, saiu com essa pérola: "meu sonho é subir em um pé de abacaxi e me fartar de tanto comer a fruta". Coitado, no mínimo, sairia todo espetado!


Não tinha obrigação de saber que a "árvore" seria uma bromeliácea rasteira e espinhenta. Sorocaba, apesar de um intenso grau de insolação, tem sido aquinhoada pelas administrações tucanas com praças áridas. Praças que compõem, com os canteiros centrais das avenidas, uma paisagem pasteurizada formada por grama esmeralda, arbustos e palmeiras. Aliás, muitas palmeiras!
 
Uma tarde de verão passei por uma praça próxima da Avenida Américo de Carvalho e chamou-me a atenção o fato de um trabalhador descansar sentado em um dos dois únicos bancos, sobre um retângulo de concreto e sob o escaldante sol das quinze horas. Nem uma sombra. Nem uma mísera sombrinha! Era uma praça formada por grama esmeralda, aqueles dois bancos e uma dúzia ou pouco mais de palmeiras.
 
Os técnicos da prefeitura deveriam usar melhor seus conhecimentos sobre a fisiologia vegetal e as qualidades ambientais de uma árvore. Estes, sim, deveriam ser os critérios primeiros a se lançar mão para a escolha das espécies que deveriam compor a arborização urbana.
 
Que fique claro: nada contra os atributos paisagísticos das palmeiras, mas por que não se perguntar o óbvio: Quanto de sombra fornecem aquelas palmeiras? Quanto de oxigênio produzem e quanto de gás carbônico absorvem? Quanto uma palmeira umidifica o ar? Quanto resfria o ambiente? Façam-se as mesmas perguntas, por exemplo, em relação a uma frondosa Tipuana.
 
Pronto! Duvido que a escolha recaia sobre as tais palmeiras.
 
Ora, árvore não serve só para embelezar o ambiente! Isso é importante, mas essa não é sua principal qualidade.
 
O italiano podia não saber nada de abacaxi, árvores ou bromélias, a não ser seu sabor, mas os técnicos da prefeitura não podem ignorar que as árvores não são puro enfeite!

Gabriel Bitencourt
É professor com formação acadêmica em educação ambiental, e militante ambientalista desde a década de 1980. Foi titular da secretaria de Meio Ambiente de Porto Feliz e exerceu a função de vereador em Sorocaba por três mandatos.