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Momento crítico

Data: 28/08/2009

Autor: Gabriel Bitencourt


Neste mês de agosto, Sorocaba ultrapassou a faixa 300 mil veículos automotores em circulação pela cidade.

Claro que o setor automotivo, e, em especial, o comércio local, comemoram.

Nosso modelo de desenvolvimento há décadas é calcado na indústria automotiva.

Mas, que implicações de ordem ambiental isso pode gerar?

Algumas delas são óbvias: mais carros, trânsito mais complicado, mais lento, mais stress, mais poluição, tudo isso igual a menor qualidade de vida.

As soluções apresentadas, via de regra, são: mais ruas, mais avenidas, menores canteiros centrais e outras medidas que acabam gerando um maior incentivo à circulação dos veículos individuais, em detrimento do transporte coletivo.

Recentemente em São Paulo, o especialista em cidades sustentáveis, o australiano Jeffrey Kenworty, professor-convidado da Universidade de Frankfurt, proferiu a seguinte afirmação: Quem escolhe investir em novas pistas de rodagem incentiva não só o uso do carro, mas uma ocupação da cidade baseada no círculo vicioso de congestionamento, poluição e stress.

Mais que isto, o especialista mostrou os resultados positivos em cidades com Portland, nos EUA, ou Nuremberg, na Alemanha, que adotaram atitudes radicais de contenção da circulação dos veículos automotores individuais.

Sorocaba chega a um momento crítico neste setor.

Os debates sobre esse tema são comuns em momentos de eleição. Mas, fora do calor das disputas eleitorais, pergunto:

• Não está na hora de se começar a pensar em transporte sobre trilhos, por exemplo?

• Como “cidade-educadora”, não está na hora de se cumprir a lei que instituiu o Programa “Minha cidade sem meu carro”, cujo objetivo é estimular formas de transporte alternativo?

Hoje temos 300 mil veículos. Quantos serão no final do ano? Quantos serão daqui a um, cinco, dez anos?

A qualidade de vida em nossa cidade depende muito deste tipo de reflexão. Que deve ser feita por cada um de nós e, principalmente, por nossos governantes.