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Unidade, CTB e Conclat

Data: 08/06/2010

Autor: Augusto César Petta


Em novembro de 2007, mês que antecedeu a fundação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB, encontrei-me com um dirigente sindical que me fez a seguinte pergunta: “por que vocês da Corrente Sindical Classista, que sempre defenderam a unidade sindical, resolveram formar uma outra Central? Essa iniciativa não vai dividir ainda mais o movimento sindical brasileiro?”. Respondi que não, porque a bandeira da unidade permanecia muito presente na política a ser desenvolvida pela CTB. Respondi assim, em função de medidas concretas que a CTB iria propor e desenvolver praticamente. E uma dessas propostas – a mais importante delas – acaba de ser concretizada no dia 1º de junho de 2010, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. A Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – que reuniu cerca de 30 mil trabalhadores e trabalhadoras, mobilizados pela Força Sindical, CUT, CTB, Nova Central e CGTB - aprovou, por unanimidade o Manifesto pelo Desenvolvimento com Soberania, Democracia e Valorização do Trabalho, assim como a Agenda da Classe Trabalhadora para que esse projeto se concretize.

Evidentemente chegar a esse ponto de termos um documento bem fundamentado que define os rumos a serem seguidos pelo movimento sindical brasileiro nos próximos anos, não é uma tarefa nada fácil. Exige muita dedicação, compreensão, debate sobre aspectos discordantes. Trata-se de uma construção coletiva que envolve cinco centrais sindicais com concepções sindicais diferenciadas.

O caminho da unidade dos trabalhadores e trabalhadoras, protagonizado pelas centrais sindicais, é de fundamental importância para a conquista e manutenção de direitos, para a elevação dos salários e das condições de trabalho, para criar as condições básicas que possam colocar a classe trabalhadora na situação de protagonista das grandes transformações sociais que o país tanto necessita.

Estive no Pacaembu no dia 1° e me lembrei - juntamente com o Professor Rubens Abdal, diretor do Sindicato dos Professores de Campinas - que há quase 29 anos, em agosto de 1981, participamos também do 1º Conclat, realizado na Praia Grande, com a presença de cerca de 5 mil sindicalistas. O momento era outro, estávamos em processo de libertação das garras da ditadura militar imposta no país, em 1964. Mas, já naquele momento, os sindicalistas classistas lutavam para a construção de uma única Central, entendendo que a unidade do movimento era fundamental. Mesmo com muita luta, durante vários anos, não se tornou possível a fundação de uma única Central e hoje temos seis legalizadas no Brasil. Com a existência delas, entendemos que o caminho mais adequado é este da união das Centrais em torno de bandeiras comuns, consubstanciadas nestes documentos aprovados no Conclat-2010.

Daqui para frente, trata-se de colocar em prática a Agenda da Classe Trabalhadora, considerando-se as eleições de outubro próximo, a primeira e decisiva batalha. Baseado nos documentos aprovados, as centrais sindicais deverão pressionar os candidatos para que assumam as bandeiras do movimento sindical.

Entendemos que qualquer retrocesso a políticas neoliberais implantadas no Brasil na década de 90 e no início dos anos 2000, será extremamente danoso à qualidade de vida do povo brasileiro. Por isso, precisamos dirigir nossas energias para que sejam eleitos aqueles que efetivamente defendam os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras e que contribuam para o aprofundamento da implantação do projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho e distribuição de renda, caminho mais adequado para chegarmos ao nosso objetivo estratégico que é a conquista do socialismo.

Augusto Petta é sociologo, coordenador técnico do Centro de Estudos sindicais, CES, e coloborador da Revista Visão Classista