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A relação entre Movimento Sindical e Governo Dilma

Data: 12/11/2010

Autor: Augusto César Petta


Desde quando iniciei minha militância no Movimento Estudantil , nos anos 60, preocupo-me com as profundas desigualdades sociais existentes no país. Não dá para aceitar, quaisquer que sejam as justificativas, que enquanto milhões de pessoas passam fome, uma minoria de privilegiados acumula fortunas incalculáveis. Sonhávamos no Movimento Estudantil, e continuo sonhando até hoje, que um dia o mundo será diferente e que alcançaremos a sociedade socialista, onde todos possam viver condignamente, desenvolvendo-se física, emocional, intelectual e socialmente.

Acredito que a luta estudantil, sindical e a de todos os outros movimentos sociais não devem perder a perspectiva de construção de uma sociedade justa e democrática. Só têm sentido movimentos sociais que persigam cotidianamente a conquista da igualdade entre todos os seres humanos.

Por isso, fiquei emocionado quando, em seu primeiro discurso, logo após ter conhecimento de ter sido eleita, a Presidenta  Dilma  disse que seu principal compromisso é a erradicação da miséria no país. E afirmou em seguida: “Ressalto, entretanto, que essa ambiciosa meta não será realizada apenas pela vontade do Governo. Essa meta é um chamado à nação. É preciso o apoio de todos para superar esse abismo que nos separa de ser uma nação desenvolvida”.

Penso que todos os movimentos sociais devem participar ativamente das iniciativas do Governo que visem efetivamente alcançar a erradicação da miséria. Evidentemente, isso não significa que os movimentos sociais não devam pressionar o Governo, em torno de suas reivindicações fundamentais. Até porque o atendimento dessas reivindicações contribuirá para haver maior igualdade e portanto,para a erradicação da miséria.

Passado o período eleitoral, em que as forças progressistas estiveram participando efetivamente - inclusive com os movimentos sociais exigindo dos candidatos, compromissos de atendimento das reivindicações – trata-se agora de exigir da Presidenta, dos Governadores, Senadores e Deputados eleitos que cumpram os compromissos que assumiram perante o povo.

Em primeiro de junho de 2010, realizou-se, no Estádio do Pacaembu, a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, com a presença de mais de 20 mil trabalhadores e trabalhadoras, coordenados pelas Centrais Sindicais. Ali foi definida a Plataforma de Lutas do movimento sindical brasileiro, que tem como bandeira principal e abrangente a luta por um Projeto Nacional de Desenvolvimento com Distribuição de Renda e Valorização do Trabalho, projeto este que, se implantado, erradicará a miséria no país. Dessa forma, há uma confluência de interesses da Presidenta com os do movimento sindical. Claro que, se essa confluência ocorrer terá, na oposição, as forças retrógradas e reacionárias, que tudo farão para que as grandes fortunas mantenham seus enormes privilégios.

Assim, imagino que o movimento sindical deve estabelecer com a Presidenta eleita uma relação, em que, por um lado, sem nunca perder a autonomia,  participe de iniciativas do Governo que visem efetivamente a melhoria da qualidade de vida do povo  e , por outro, pressione no sentido de que o novo Governo  atenda as reivindicações das trabalhadoras e dos trabalhadores do Brasil.

Já tendo a experiência acumulada do que ocorreu em 2003, no início do primeiro Governo Lula - quando determinadas forças importantes do movimento sindical ficaram estáticas, na expectativa de que o Governo resolvesse os problemas dos trabalhadores e trabalhadoras, sem ser pressionado – deve-se pressionar o Governo para que atenda as reivindicações e que promova avanços mais significativos, comparando-se com os que ocorreram no Governo Lula. Não podemos nunca nos esquecer que as outras forças sociais, principalmente aquelas que representam os interesses das classes dominantes, estarão pressionando o Governo e o Congresso Nacional. E se só eles pressionarem, provavelmente, só eles conseguirão atingir os seus objetivos. Trata-se de uma batalha constante entre forças antagônicas que, em última instância, refletem a contradição básica da sociedade capitalista, entre capital e trabalho.