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O sonho de Chico não acabou

Data: 17/08/2011

Autor: Augusto César Petta


Com muita tristeza, recebi hoje, 12 de agosto de 2011, a notícia do falecimento do médico Francisco Monteiro, conhecido como “Chico Passeata”. Tive a oportunidade de conhecê-lo no final dos anos 70, em Campinas–SP, num momento em que se desenvolviam muitas lutas no país, contra a ditadura imposta desde março de 1964. Chico era casado com Helena Serrazul Monteiro que, além de médica, também é professora.

 

Chico e Helena atuavam, nos movimentos populares, sempre impulsionados pelo sonho da conquista do socialismo. Chico era um militante muito dedicado, quer seja nas lutas em defesa dos interesses dos médicos e demais trabalhadores do serviço público, quer seja nos movimentos mais gerais contra a ditadura e pela conquista da democracia. Helena, entre outras atividades que desenvolvia na área da saúde pública, foi trabalhar na PUC-Campinas, como professora e participava ativamente da APROPUCC, entidade representativa dos professores.

 

Os leitores poderão perguntar: por que o Dr. Francisco Monteiro era conhecido como Chico Passeata? Porque era competente, simples, alegre, identificado e admirado pelas pessoas das classes populares.  Participava das atividades dos movimentos sociais, entre elas das passeatas, que, como sabemos, exercem um papel importante na aglutinação dos trabalhadores e trabalhadoras quando marcham rumo às conquistas necessárias à classe. E Chico não só estava presente, mas procurava sempre estimular os participantes para que as passeatas fossem vibrantes, dinâmicas.

 

Chico e Helena pagaram caro a ousadia de lutar contra a ditadura e pela democracia, inclusive com prisões e torturas. O primeiro filho do casal nasceu na prisão.  

 

Num determinado momento, Chico e Helena resolveram voltar para Fortaleza. Os movimentos sociais de Campinas perderam dois dos seus mais importantes participantes, mas tínhamos certeza que os movimentos sociais de Fortaleza ganhariam com a presença deles, o que efetivamente ocorreu. Entre outras atividades, Chico participou ativamente do Sindicato dos Médicos e do Conselho Federal de Medicina, Helena da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Ceará.

 

Chico era, desde jovem, filiado ao Partido Comunista do Brasil, assim com Helena. Sempre muito convictos dos objetivos estratégicos do PC do B, ambos dedicaram muito das suas vidas - e Helena, certamente, continuará dedicando - para que um dia possamos chegar à sociedade justa, solidária, em que os seres humanos não passem fome, em que a miséria seja efetivamente erradicada, em que haja justiça social, em que todas as pessoas possam se desenvolver física, intelectual, emocional e socialmente.

 

Em maio deste ano, eu e Maria Clotilde (Tide), encontramo-nos com Helena, em Salvador, no Encontro Sindical Nacional do PCdoB.  Helena contou-nos que Chico havia adoecido e que lutava com todas as forças para superar a doença. Dissemos a Helena que levasse a ele o nosso abraço e o profundo desejo que se recuperasse totalmente. Infelizmente, essa recuperação não foi possível e Chico veio a falecer.

 

O exemplo ficará muito presente em todos nós e desejamos que no futuro, o Brasil seja o país que Chico sonhou e que, na ditadura, o outro Chico cantou: “... apesar de você, amanhã, há de ser um outro dia....”.