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Ser Professor

Data: 11/10/2011

Autor: Augusto César Petta


Em 15 de outubro, comemora-se o Dia do Professor. Esta data é consagrada à educadora Santa Tereza D’ Ávila, que viveu na Espanha, no século XVI.

Em 15 de outubro de 1827, D.Pedro I baixou um decreto que criou o ensino elementar no Brasil. Mas, foi somente em 1947, que aconteceu a primeira comemoração de um dia dedicado ao professor. Na época, o segundo semestre letivo estendia-se de primeiro de junho a quinze de dezembro, tendo apenas 10 dias de férias. Os professores do Ginásio Caetano de Campos, em São Paulo, resolveram estabelecer que, naquele segundo semestre de 1947, no dia 15 de outubro, as aulas não aconteceriam e que o dia seria reservado à comemoração e à reflexão sobre o trabalho do professor.

Trata-se de uma profissão da maior importância para a formação das novas gerações. Com raras exceções daqueles que não têm possibilidades de freqüentar escolas, os seres humanos têm na sua formação, a presença marcante dos professores, desde o nível da educação infantil até os níveis superiores de ensino.

No entanto, mesmo havendo socialmente – sobretudo dos trabalhadores - um reconhecimento considerável da importância do papel do professor, a profissão não está entre aquelas com melhor remuneração e nem entre aquelas com melhores condições de trabalho.

Ao contrário, a grande maioria dos professores recebe salários baixos e vivem condições de trabalho inadequadas. Para conseguir se manter e manter a sua família, muitos professores se submetem a uma jornada estafante, chegando a atingir  50 a 70 aulas semanais! Diferentemente de outras profissões, o professor mantem contatos com crianças, jovens e adultos, numa situação mais propícia para transmissão de conhecimentos e valores. Por isso, um professor consciente e engajado pode desempenhar um papel fundamental na formação das pessoas.

Iniciei meu trabalho no magistério em 1968, sendo professor do Colégio Progresso e da Escola Supletivo Evolução, ambos de Campinas. Lecionei também  em várias  instituições de ensino superior privado, até 1981, quando fui eleito Presidente do Sindicato dos Professores de Campinas. Assumi, posteriormente no movimento sindical, várias funções, entre elas a de Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – CONTEE.

A partir de 2003, com muita satisfação , voltei a lecionar, desta vez para transmitir a experiência e os conhecimentos adquiridos para os sindicalistas, em cursos, palestras, seminários de Planejamentos Estratégicos Situacionais  promovidos pelo Centro de Estudos Sindicais,  com a CTB ou com outras entidades. Estas atividades  de formação sindical acontecem em várias cidades do Brasil, nas 4 regiões. Transmito o que aprendi e tenho tomado conhecimento de muitas das peculiaridades, no que se refere às questões sociais e políticas, deste imenso país. É muito gratificante adquirir esta convicção – proporcionada pelo que dizem os próprios  participantes dessas atividades - de estar contribuindo para a formação política e sindical dos sindicalistas.

Aqueles que, como eu, acreditam que é possível a construção de uma sociedade justa e fraterna, precisam trabalhar no sentido de contribuir para o processo de formação dos militantes e dirigentes sindicais, dos jovens e das mulheres, enfim de todos os trabalhadores. Para que haja uma mudança significativa em nossa sociedade, é imprescindível que os trabalhadores e as trabalhadoras compreendam o processo de exploração a que estão submetidos, fruto do modo de produção capitalista. E que se disponham a lutar rumo à conquista do socialismo.

Neste 15 de outubro, quero homenagear todos os professores e professoras, pelo árduo trabalho que desenvolvem na formação integral de crianças, jovens e adultos!

* Augusto César Petta é coordenador do Centro de Estudos Sindicais (CES)