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Obsolescência Programada – um modelo insustentável

Data: 28/03/2012

Autor: Gabriel Bitencourt


Esta semana assisti a um documentário chamado “Obsolescência Programada”. Quero recomendá-lo.

Ele aborda de maneira contundente e bem documentada a “sinuca de bico” que representa a procurada sustentabilidade socioambiental em um modelo de produção capitalista.

Em seu início, o filme apresenta a lâmpada mais antiga do mundo em funcionamento. Produzida em 1901, ela funciona, de forma ininterrupta, até os dias de hoje, na sede do corpo de bombeiros de Livermore, na Califórnia, Estados Unidos.

É fácil achá-lo na Internet, especificamente, no Youtube.
 
 
 
Mostra, ainda, um modelo de impressora que contém um chip cujo objetivo é, de forma programada, fazer a máquina parar de funcionar depois de gerar certo número de cópias. No documentário, o proprietário da impressora, ao procurar um suporte técnico, recebe a recomendação: é melhor comprar outra.
 
No caso da lâmpada, são exibidos documentos que testemunham um acordo, realizado em Genebra, em 1924, envolvendo os diversos fabricantes de lâmpadas em todo o planeta com a finalidade de reduzir, isso mesmo, reduzir o tempo de vida útil de uma lâmpada. Esta é a chamada Obsolescência Programada.
 
Naquela época, o tempo de vida de uma lâmpada era de 2500 horas e o cartel dos fabricantes determinou que, a partir de então, não se fabricariam lâmpadas que durassem mais de 1000 horas.
 
A lógica, do ponto de vista mercantil, é extremamente simples: quando menos tempo durar um produto, maior a necessidade de sua produção porque mais pessoas terão necessidade de comprá-lo com mais frequência.
 
As lâmpadas, as impressoras, as máquinas de lavar roupas e ene outros produtos hoje são feitos para terem um tempo de vida curtíssimo. É a lógica do consumismo.
 
Do ponto de vista ambiental, é um modelo desastroso: consomem-se matérias primas em demasia e impacta-se o meio ambiente para sustentar os processos produtivos com a geração abundante de energia elétrica, além de se consumir excessivamente um precioso e cada vez mais escasso bem: a água.
 
Há, ainda, a conseqüente geração de resíduos gasosos, líquidos e sólidos que tem provocado expressivos danos ambientais.
 
Na Alemanha Oriental, antes da queda do muro de Berlim, produziam-se geladeiras que deveriam durar, pelo menos, vinte e cinco anos e lâmpadas de longa vida, além de outros bens extremamente duráveis. Isto porque o modelo de Estado não era assentado no consumismo.
 
Defendo, então, neste artigo a implantação do regime comunista ou a volta à idade da pedra? Não. Neste momento, apenas denuncio um modelo absurdo e ambientalmente insustentável que leva o planeta a uma séria crise ambiental, da qual, se não somos os protagonistas, somos, muitas vezes, levados a sermos ativos coadjuvantes.