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Notícias da Educação

Deputado Orlando Silva visita Sorocaba ao lado do secretário geral do Sinpro-Sorocaba


Data: 16/02/2018

Fonte: Alex da Matta, Sinpro-Sorocaba


Em visita a cidade de Sorocaba ao lado do secretário geral do Sinpro-Sorocaba e vereador eleito pelo município, Renan Santos, o deputado federal Orlando Silva, concedeu entrevista ao Sindicato dos Professores de Sorocaba e Região e falou um pouco mais sobre a Reforma Previdenciária (PEC 287) que deverá ser votada entre os dias 19, 20 ou 21 de fevereiro. Se o governo não atingir os votos necessários, irá retirar o texto de pauta.

 

Deputado, segundo dados do site UOL de Março/2016, a média salarial em todo o país tem caído consideravelmente, na casa de 7,5%, índice esse, muito maior que a reposição salarial conquistada por algumas categorias. Com a reforma trabalhista, essa queda deverá ser contínua?

Orlando Silva: Eu tenho certeza que infelizmente essa queda da massa salarial irá acontecer. A diminuição dos salários é o filho imediato do desemprego, da crise econômica. Eu lamento, mas o fato é que o Brasil nos anos 2000 viveu uma expansão da massa salarial. Você teve durante o período do governo Lula e Dilma acordos salariais sempre acima da inflação e agora o que vivemos é um momento inverso. Inclusive, a reforma trabalhista tende a agravar esse quadro. A terceirização pressiona os salários pra baixo, o trabalho termitente pressiona os salários pra baixo e a crise econômica ainda continua. O fato é que os números do desemprego ainda são astronômicos. Com essa crise, infelizmente, quem está pagando a conta são os trabalhadores.

 

Menos da metade dos estados cumpre o piso salarial dos professores do ensino básico, informou a agência EBC Brasil em matéria de janeiro de 2017. Com a reforma trabalhista, que implicará na perda de direitos duramente conquistados, qual análise o senhor faz sobre a realidade de professores a nível Brasil e no estado de São Paulo?

Orlando Silva: O piso salarial é uma conquista histórica da educação brasileira. E olha que o piso é relativamente baixo levando em conta a importância que tem a atividade docente em nosso país. O que se vê é que a reforma trabalhista já produziu uma onda de demissões. No ensino superior, por exemplo, o que se viu em 2017 foi um escândalo. Foram milhares de professores que foram demitidos até a última hora. E o que se vê, são professores sendo admitidos em outras escolas com salários inferiores. Portanto, a reforma trabalhista é uma crueldade em todos os campos. Na educação, a crueldade é muito maior.

 

Qual a perspectiva dos servidores públicos após a reforma trabalhista?

Orlando Silva: O serviço público tem sofrido com o arrocho do fiscalismo. O teto de gastos que foi imposto pelo capital financeiro e que infelizmente o Congresso Nacional aprovou, congelando na Constituição o investimento público. Com isso, a principal vítima desse teto de gastos são os servidores públicos. Pois, a forma de cumprir o teto de gastos é arrochar o salário do servidor. É voltar ao que foi o governo FHC em que durante 8 anos não houve um centavo de aumento aos servidores públicos. Portanto, o conjunto da obra do governo de Michel Temer incluindo reforma trabalhista, terceirização, teto de gastos é muito perverso para o conjunto da massa trabalhadora em especial aos servidores públicos.

 

A aposentadoria é um direito conquistado pela classe trabalhadora. Dados do ibge de 2014 apontam que mais da metade dos estados tem expectativa de vida abaixo dos 73 anos, e correspondem aos estados das regiões mais pobres do país (região norte, nordeste e centro oeste). Desta forma, a reforma previdenciária deverá beneficiar qual parte da população sendo que a faixa etária da expectativa vai de encontro com a proposta da reforma?

Orlando Silva: O governo Temer quer fazer o trabalhador brasileiro trabalhar até morrer. Quando ele fala de 65 anos de idade a grande maioria da população brasileira se quer alcança essa faixa etária e mais do que isso as pessoas contribuem durante 10, 20, 30, 40 anos para ter direito à aposentadoria justamente para usufruir ao lado de sua família. Essa proposta que cria uma idade mínima ignora a realidade do mercado de trabalho do nosso país. A maioria dos trabalhadores no Brasil começam a trabalhar com baixa idade. É comum que com 14 anos as pessoas já estejam trabalhando. Ignoram as diferenças do trabalhador urbano, trabalhador rural. Ignora que as mulheres tem dupla jornada de trabalho e exige um prazo mínimo de 25 anos de contribuição para se aposentar e isso está fora dos padrões internacionais. Portanto, é uma proposta cruel e num momento de crise ela se torna ainda mais dramática. E essa conversa que o problema do Brasil é a Previdência, tudo isso é uma falácia. Essa conversa sempre aparece quando o país entra numa crise econômica, quando cai a arrecadação dos estado, quando diminui os impostos, quando aumenta a informalidade e como consequente redução de contribuições para a previdência. O Brasil precisa ter crescimento econômico, com crescimento econômico, nós temos condições de enfrentar os problemas de nosso país.

 

No caso dos professores, cujo valorização salarial e social é uma das piores em nosso país, qual expectativa de aposentadoria o senhor vê para a categoria?

Orlando Silva: Desconsiderar as particularidades da atividade da educação também é uma atitude cruel do governo. Um professor numa sala de aula com 30, 40 alunos onde já tem uma jornada estendida pelo transporte até a sua casa, um desgaste físico e psicológico muito grande. E, todo esse desgaste físico e psicológico tem que ser considerado quando se fala e se pensa em previdência, aposentadoria. Uma das mudanças que querem fazer na previdência é só permitir a aposentadoria quando a um dano à saúde, ou seja, o risco de dano não é considerado. Isso é ignorar completamente a importância de cuidar da saúde de profissionais, nesse caso das professoras e professores. Espero que derrotemos essa proposta absurda do governo e que possamos premiar os professores que se dedicam a formar novas gerações com aposentadoria adequada, digna e corresponder com a importância que tem os professores para o desenvolvimento do Brasil.