Busca:


Notícias da Educação

A Emancipação Humana no Dia da Educação


Data: 27/04/2018

Fonte: Joel Della Pasqua


            Um dos grandes pilares da sociedade moderna é homenageado no dia de hoje: a Educação. Necessário diferenciar o que se entende por ela. Existe, tratando o tema de modo básico, dois eixos centrais do processo educacional: a educação familiar e a educação institucional, cujo aparato é fornecido pela escola. A educação oferecida pelos mais velhos aos mais jovens de uma família ou comunidade está na base da formação daquilo que, hoje, entendemos por humanidade. Esse processo educacional não se deu do mesmo modo em todos os lugares e se diferenciou de acordo com as épocas e as classes sociais. Quanto à educação escolar, também podemos elencar tais diferenças. O modelo escolar, que conhecemos hoje, data, aproximadamente, dos séculos XVIII e XIX, períodos históricos demarcados pela ascensão da classe burguesa. De lá para cá, muitas transformações foram operadas nesse modelo, como o acesso a ele por crianças e jovens não pertencentes à burguesia.

            No Brasil, a inclusão educacional possui uma história ainda mais recente. Ela data do século XX, período em que o acesso à educação básica começa um processo de expansão. Nos dias atuais, a maior parte das crianças e jovens, do país, possui acesso à escola, mas não acesso a uma educação igualitária. E esse é, por certo, o grande desafio a se enfrentar na contemporaneidade brasileira.

            De um lado deste processo, existem as crianças e os jovens inseridos na educação básica, de nível fundamental e médio, em escolas públicas e, de outro lado, crianças e jovens inseridos na escola privada. A distância educacional que separa as duas realidades é muito grande. Em um país em desenvolvimento, como o Brasil, educação não é apenas sinônimo de compreensão de valores de cidadania. É, também, forma de mobilidade social por meio de acesso a melhores oportunidades no mercado de trabalho. Conforme aumenta a escolaridade de um indivíduo, diminui as chances de desemprego. De modo que, quanto melhor o acesso a uma educação básica de qualidade e ao ensino superior, melhores as chances de crescimento social e profissional. No entanto, há muito, ainda, a se fazer para que esse processo ocorra de forma igualitária entre todos os brasileiros inseridos no processo escolar.

            Ainda que, nas últimas décadas, tenha-se aumentado o número de vagas disponíveis nas escolas de educação básica e de acesso ao ensino superior aos jovens oriundos da escola pública, as diferenças de acesso e qualidade educacional ainda são marcantes entre crianças e jovens de classes sociais distintas.

Desde o final do século XX, busca-se, no processo educacional brasileiro, a valorização de uma educação que forneça valores de cidadania e solidariedade humana e social, no entanto, o acesso ao ensino superior se dá pelas vias seletivas do vestibular, cuja orientação, em seu processo de seleção, ocorre por meio de um conhecimento escolar conteudista. O que resulta disso, considerando que, na visão social brasileira, a melhor escola é aquela que prepara para a aprovação no vestibular das melhores universidades, é uma escola pública em descompasso com a escola privada, no que tange às cobranças de conteúdo no cotidiano escolar, de modo que, as escolas privadas acabam, desse modo, enviando mais jovens para o ensino superior das melhores universidades. Na última década, o processo de cotas, seja para estudantes de escolas públicas, seja por critério racial, de certo modo, democratizou o acesso, mas as diferenças ainda são muito grandes.

            Há que se considerar, também, que o vestibular, tratado como o grande objetivo da educação básica no país, não é, exatamente, um modelo de princípios educacionais emancipatórios. Ele projeta uma competitividade acirrada entre jovens, provocando, naqueles que ainda estão em processo formativo de caráter, um turbilhão de sentimentos: histeria competitiva entre todos, surto de felicidade em aprovados, frustração em não aprovados e, ainda, sentimento de derrota em muitos que, tantas vezes, ao longo de anos de tentativas, não conseguem a sonhada aprovação. Um verdadeiro objetivo educacional deve pautar-se em uma busca de libertação. E em algo que libere sentimentos, verdadeiramente, emancipatórios nos mais jovens. E o vestibular, no final das contas, é bastante opressor e nada emancipador. As vias de seleção para o ensino superior, no país, carecem de repensar seus mecanismos de justiça, de mérito e de humanidade. 

            A estrada que o Brasil terá que percorrer para se pensar em uma educação igualitária e emancipatória é, ainda, muito extensa. Para o teórico alemão, da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, a função do processo educacional é emancipar os indivíduos e evitar a barbárie. Adorno referia-se a uma barbárie que se manifesta em todas as formas de totalitarismos, sejam esses políticos, sociais, de mercado, meritocráticos ou morais. Qualquer sentimento ou ação, que diminua um grupo de seres humanos em detrimento de outro, não é e nunca será emancipação e, portanto, não deverá ser um rumo para onde caminha um sistema educacional de uma nação.

            O Sinpro-Sorocaba saúda a todos os profissionais que, direta ou indiretamente, estão ligados às práticas educacionais no país e deseja que a educação encontre o verdadeiro caminho emancipatório dos seres humanos.