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Notícias da Educação

O necessário combate à homofobia


Data: 17/05/2018

Fonte: Joel Della Pasqua


       Neste dia, 17 de maio, celebra-se o Dia Internacional do Combate à Homofobia. Data em que a homossexualidade foi excluída da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1990. Esse foi um importante passo para o processo de aceitação e tolerância quanto à homossexualidade, no entanto, o preconceito, concebido, sistematicamente, dentro da sociedade, ainda é algo que existe em drásticas proporções, e a discriminação à homossexualidade é uma realidade cotidiana mundial.

            No Brasil, há avanços e retrocessos. A questão das liberdades sexuais, na realidade brasileira, é uma história que avança em espiral. Como tal, ela progride e, ao mesmo tempo, retrocede. Homossexuais, ao longo da história do país, sempre foram vistos como aberrações ou, no mínimo, como pessoas com uma doença. O processo de formação do preconceito sexual e da discriminação à homossexualidade começa dentro do universo das famílias, em que homossexualidade e exclusão familiar sempre andaram lado a lado.

            Durante séculos, a homossexualidade é rechaçada dentro de uma artificial conduta de moral, em que o estatuto religioso sempre impôs duras restrições à aceitação e tolerância a aspectos da sexualidade humana. À homossexualidade ligou-se uma série de rótulos, que vão de pecado imperdoável à vergonha familiar e social. Se esses já não fossem suficientes enquanto definidor de um padrão discriminatório, ligou-se também os rótulos de doença e perversão sexual. Com o advento da AIDS, no final dos anos 70 do século XX, tal doença ficou conhecida como uma “enfermidade de gays”. Muitos anos se passaram desde então, mas a ideia, ainda que já mitigada, permanece, erroneamente, na visão de muitas pessoas.

            Estamos no ano de 2018 e homossexuais masculinos, no Brasil, ainda são restringidos enquanto possíveis doadores sanguíneos. Apenas aceitos caso estejam a doze meses sem nenhuma relação sexual. O mesmo tratamento não ocorre com heterossexuais masculinos, ainda que tenham tido relações sexuais sem preservativos. Há tentativas de mudar tais regras do Ministério da Saúde e da ANVISA quanto a isso, mas as tentativas se veem acorrentadas por um trâmite jurídico em um ritmo de completa lentidão e apatia quanto ao debate legal sobre essa questão.

            A exclusão à homossexualidade, na sociedade brasileira, segue fazendo vítimas, do mesmo modo que todas as outras formas de discriminação, sejam elas de gênero, de raça, de classe etc. O que resulta de uma sociedade em que o preconceito é reproduzido, cotidianamente, é uma avalanche de violência e intolerância. O preconceito é responsável por muitos males que podem ocorrer a uma pessoa, que, marcada pela hostilidade dos que a rodeiam, podem se ver mergulhadas em baixa estima, depressão, injustiças e perda do sentido do exercício do viver. É imperativo, portanto, que se lute de modo sistemático contra toda as formas de preconceitos e intolerâncias.

            Os avanços da espiral da história da questão sexual devem sobrepor-se aos retrocessos. Deve-se lutar contra esses empecilhos que fazem a sociedade deixar de ser mais tolerante e mais afeita à paz e à justiça social.

            Neste 17 de maio, o Sinpro-Sorocaba solidariza-se com a luta em nome do combate à homofobia no Brasil e no mundo e acredita em um processo educacional transformador e libertador, que tenha suas bases calcadas nos mais altos princípios da dignidade, da honra, da tolerância e da igualdade entre todos os seres humanos.