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Notícias da Educação

12 de junho. Dia Mundial do Combate ao Trabalho Infantil


Data: 12/06/2018

Fonte: Joel Della Pasqua


            A exploração do trabalho infantil é, certamente, um dos grandes males existentes na sociedade e que impede a construção de um futuro social, que possa ser marcado por esperança e dignidade. Historicamente, nem sempre existiu o próprio conceito de infância. Durante a Idade Média, por exemplo, a criança, do estamento dos servos, era vista com um micro adulto e submetida, desde cedo, aos mais duros e árduos serviços feudais. A exploração do trabalho infantil, portanto, é algo presente na realidade humana há muitos séculos. Essa exploração se intensifica ainda mais por ocasião da Revolução Industrial europeia, por volta do final do século XVIII, em que crianças, de famílias proletárias, eram submetidas ao trabalho fabril em exaustivas jornadas de trabalho. O que resultou disso foi um índice de mortalidade infantil e injustiças sociais sem precedentes.

            No Brasil, a exploração do trabalho infantil conta também com séculos de permanência. O processo de industrialização brasileiro também foi marcado por um elevado índice de exploração do trabalho de infantes. E a realidade de exploração desse trabalho se faz presente até os dias atuais. Ainda que hoje existam políticas públicas de combate ao trabalho infantil e legislação operante de proteção à infância e adolescência, a violência consubstanciada na exploração do trabalho de crianças faz parte da realidade do Brasil, que, nos dizeres do historiador britânico Eric Hobsbawn, representa um monumento mundial das desigualdades sociais e humanas.

            O trabalho infantil, atualmente, é explorado, no país, em diversas modalidades, nos mais variados ambientes da sociedade, urbanos e rurais. Fábricas clandestinas, fazendas em áreas de pouco acesso e fiscalização, carvoarias, garimpos, ambientes domésticos, dentre outros, exploram, de modo brutal e desumano, crianças e adolescentes brasileiros. De acordo com dados da UNICEF, estima-se que aproximadamente 168 milhões de crianças sejam vítimas de trabalho infantil em todo o mundo. Segundo a OIT, cerca de 20 em cada 100 crianças começam a trabalhar a partir dos 15 anos. Dados do IBGE de 2015 revelam que 80 mil crianças de 5 a 9 anos trabalhavam no Brasil. A gravidade desses dados é inquestionável.

            As consequências para crianças submetidas ao trabalho precoce são diversas: lesões e deformações físicas decorrentes de abusivos esforços corporais inadequados para a idade, traumas emocionais decorrentes da exploração a que são expostos e disso resulta precoce perda de afetividade, isolamento e afastamento social de outras crianças, repetência e evasão escolar e dificuldade de acesso a direitos sociais e democráticos.

            Existe certa ideologia corrente que afirma que o trabalho é um elemento eficiente para afastar as crianças da marginalidade, no entanto, tal concepção deixa de ser benéfica no instante em que busca combater um problema social gerando outro. O que deve afastar crianças de um futuro de criminalidade é a eficiência de um sistema educacional justo e humano. A escola deve objetivar oferecer às crianças valores éticos e humanísticos, além de lhes abrir as possiblidades para um futuro de inserção digna na sociedade e em um posterior mercado de trabalho quando já forem adultas.

            Afastar as crianças de explorações é uma obrigação que transcende os pais e as famílias. Também, e decisivamente, é função do governo gestar políticas públicas e inclusivas, de proteção social de crianças, adolescentes e suas famílias. Será somente desse modo que será possível pensar em um futuro com dignidade e bem-estar social para todos. Um país que protege seus infantes é um país que protege seu futuro.

            O Sinpro -Sorocaba, neste 12 de junho, solidariza-se com o combate ao trabalho infantil e repudia todas as formas de exploração de crianças e adolescentes no mundo e na sociedade brasileira.