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Notícias da Educação

Dia do Combate à Injustiça


Data: 23/08/2018

Fonte: Joel Della Pasqua


          Hoje, 23 de agosto, é o Dia do Combate à Injustiça. Para refletirmos sobre o que é injustiça, comecemos tentando entender o que é justiça. Muito, ao longo da história do pensamento filosófico, tem-se escrito sobre este tema. Desde os gregos a questão acerca do que seja justiça tem causado interesse. Em “A República”, de Platão, em um dos diálogos concernentes a este tema, aparece uma conceituação. Em um diálogo com Sócrates, Céfalo, Polemarco e Trasímaco conceituam o que é justiça.

          Para Céfalo, a justiça resume-se em ser sincero e sempre restituir a alguém aquilo que lhe foi tomado. No entanto, Sócrates argumenta que, às vezes, a sinceridade ou a restituição de algo podem ser fontes de prejuízo à pessoa que as recebe, de modo que nem sempre isso é ser justo.

          O filho de Céfalo, Polemarco, assegura que ser justo é devolver a alguém aquilo que esse merece, ou seja, o bem aos bons e amigos e o mal aos maus e inimigos. Sócrates, porém, após um longo raciocínio pautado em perguntas a Polemarco, conduzindo-o a certas conclusões, afirma, ao seu interlocutor, que nem sempre os bons serão os amigos e nem sempre os maus serão os inimigos, considerando que, tantas vezes, os homens são passíveis de erros ao julgar alguém. De modo que nem sempre será justo ajudar aos amigos e, por conseguinte, prejudicar aos inimigos.

         Já Trasímaco, com certo tom de agressividade durante o diálogo, defende que a justiça é aquela que concerne ao mais forte, ainda que seja imposta pelo governante. Justiça, portanto, seria fazer o que é de interesse do mais forte, o que lhe é benéfico. Sócrates, porém, leva seu interlocutor a concluir que o governante, o mais forte, é passível de erros em relação às leis que impõe aos mais fracos, os governados. E uma vez que impõe leis que podem prejudicá-lo, junto aos governados, e a justiça significa obedecer ao mais forte, o governante, deduz-se que o justo seria, neste caso, prejudicar o mais forte. Tem-se, aqui, portanto, uma ideia bastante contraditória de justiça para o mais forte.

         Para finalizar, Sócrates defende que a justiça seria a superação de todo o egoísmo. Ser justo é reconhecer a igualdade entre todos e deixar de buscar vantagens apenas para si mesmo.

             Se no dia de hoje, comemora-se o Dia do Combate à Injustiça, podemos entender, do ponto de vista socrático, que comemoramos também o Dia do Combate a toda forma de Egoísmo e a toda a forma de Desigualdade. A Justiça, seja em sua forma universal, que concerne a todos, seja em sua forma particular, que concerne individualmente a alguém, é um bem público global, ou seja, é aquilo que deve pertencer a todos de modo indistinto. Justiça, portanto, é algo que não pode ser vendido e, por conseguinte, não pode ser comprado. Imoral quando a justiça se torna objeto de transações comerciais, quando ela serve para proteger àqueles de classes sociais privilegiadas e serve para massacrar os despossuídos. Isso jamais será justiça e isso deverá sempre ser combatido. A corrupção em um país, a manipulação de vereditos em tribunais para atender a este ou aquele interesse escuso, a má distribuição de renda, a diferença de oportunidades entre as pessoas, os preconceitos e discriminações sociais, tudo isso é o máximo exemplo do que seja injustiça e isso precisa sempre ser combatido.

          Para finalizarmos, relembremos as palavras do poeta e dramaturgo alemão, Bertolt Brecht, quando diz, em um de seus poemas:  

 

De que serve a bondade

Se os bons são imediatamente liquidados, ou são liquidados

Aqueles para os quais eles são bons?

 

De que serve a liberdade

Se os livres têm que viver entre os não-livres?

 

De que serve a razão

Se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?

 

(...)

 

            Neste dia 23 de agosto de 2018, o Sinpro-Sorocaba deseja que a bondade, que a liberdade e que a razão, possam, enfim, ser úteis. Que possam servir, verdadeiramente, a todos e que, por meio delas, supere-se o egoísmo e, desse modo, possamos, verdadeiramente, conhecer a justiça para todos.