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Notícias da Educação

Fixos e Fluxos no Dia Nacional do Trânsito


Data: 25/09/2018

Fonte: Joel Della Pasqua


          Hoje, 25 de setembro, comemora-se o Dia Nacional do Trânsito. Ao tratar desse assunto, duas questões centrais podem ser elencadas: a mobilidade urbana nas cidades brasileiras e a segurança de motoristas e pedestres. Em relação à primeira, é fato notório o aumento da população e da frota de veículos, que colocam o Brasil, na atualidade, em uma condição em que a mobilidade urbana se torna um dos grandes problemas a ser enfrentado no cotidiano do país. Em relação à segunda, pode-se considerar que houve um grande avanço trazido pela Lei nº 11.705, de 19 de junho de 2008, também chamada de Lei Seca.

         As áreas urbanas do país ampliaram-se desde o êxodo rural da década de 60 do século XX, momento em que uma grande parcela da população rural se transferiu para as áreas urbanas. Nessa mesma década, iniciou-se uma política, engendrada no governo Kubitschek, de apoio à entrada das grandes montadoras de carros no Brasil. Isso gerou uma cultura social que acabou sendo modeladora de uma espécie de “civilização do automóvel”. Tal ideia cria vários estereótipos na sociedade. Todo um jogo de poder e status forma-se em torno da imagem do automóvel.

          A medição de status dentro da sociedade brasileira perpassa o valor do carro que certo indivíduo possui. O carro torna-se um símbolo de poder, dessa forma, como um objeto almejado em sua praticidade cotidiana de condução e em seu símbolo de enaltecimento, popularizando-se, ao longo das décadas, e sua frota, com o correr dos anos, torna-se insustentável no ambiente dos grandes centros urbanos.

          Essa numerosa frota de veículos não comportada pelas cidades acaba, cotidianamente, provocando grandes congestionamentos em determinadas horas do dia, criando, portanto, um grande entrave à mobilidade urbana da década atual.

            A organização do espaço urbanístico é também uma questão a ser tratada quando o ponto de reflexão é a fluidez dos deslocamentos e serviços das cidades, já que o espaço urbano deve ser organizado de modo a permitir a plena fluidez de pessoas e serviços. O geógrafo brasileiro Milton Santos afirmava que a mobilidade urbana é composta de fixos e fluxos. Certamente, os pontos fixos devem ser favorecidos pelos fluxos cotidianos.

            Nessa lógica, hospitais, por exemplo, que são pontos fixos de serviço essencial no ambiente urbano, devem estar construídos em área que seja possível um fácil e veloz acesso, em um fluxo contínuo, considerando que tempo é fator decisivo quando a questão é o salvamento de vidas.

            Para estendermos a análise sobre a questão de salvar e preservar vidas, devemos salientar que as condições de segurança no trânsito são de grande importância. Acidentes de veículos motorizados são causa de grande parcela dos óbitos e ferimentos ocorridos no país, sendo que, nos dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil ocupa a quarta posição em relação aos números de acidentes no trânsito e, em virtude disso, busca cumprir uma meta de redução de 50% desses até 2020.  

Para tanto, fez, em 2008, entrar em vigor a famosa Lei Seca. Em um processo contínuo e crescente de rigorosidade, tal lei vem contribuindo, significativamente, para a diminuição de acidentes no trânsito ocorridos em virtude da ingestão de álcool por motoristas. Hoje, o motorista que ingerir qualquer quantidade de bebida alcoólica e for submetido à fiscalização de trânsito está sujeito à multa, no valor de R$ 2.934,70, sendo que terá o carro apreendido e a suspensão da carteira de motorista por doze meses. Em caso de reincidência, o valor da multa é dobrado. Uma vez comprovado um estado de total embriaguez do condutor, poderá haver prisão com pena prevista de seis meses a um ano.

            Além da questão da inviabilidade do ato de dirigir após ingerir álcool, o uso cotidiano das tecnologias de mídias sociais também é outro fator preocupante quando o assunto é o trânsito. É muito corriqueiro a cena cotidiana de motoristas dirigindo enquanto usam celulares e smartphones. Essa quebra de atenção no ato de conduzir um veículo pode gerar grandes prejuízos para motoristas e pedestres, pois já são elevados os números de acidentes no trânsito decorrentes dessa prática irresponsável.

            Parece que na “civilização do automóvel”, tempo, status, poder, fluidez e irresponsabilidade fundem-se em algo que torna a mobilidade urbana e a segurança no trânsito um ponto questionável e pouco funcional em um país cada vez mais cheio de habitantes e de veículos, tornando evidente que o ambiente urbano mal planejado em seus pontos fixos e demarcado por caos generalizado em seus fluxos no trânsito será fonte de mal-estar e prejuízos a todas as pessoas que transitam no espaço urbano. Então, compete a todos, governo e cidadãos, atitudes que possam mudar a realidade do trânsito caótico no Brasil.

            Neste dia, o Sinpro-Sorocaba saúda a todos os motoristas e pedestres e deseja o melhor nível de consciência de todos para que, juntos, possamos melhorar os fluxos urbanos e fazer da segurança no trânsito brasileiro algo concreto e fixo.