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Notícias da Educação

Rede particular volta a ter aulas somente virtuais


Data: 26/03/2021

Fonte: Vinicius Camargo, Jornal Cruzeiro do Sul


Crédito da foto: Divulgação / MCTIC

O retorno para a modalidade de ensino on-line será a opção para as escolas particulares de Sorocaba após o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) ter determinado a suspensão das aulas presenciais dessas instituições. Manga anunciou, na quarta-feira (24), o cancelamento das atividades nas unidades de ensino privadas até terça-feira (30). A medida consta no decreto municipal 26.155, de 24 de março, que traz novas ações para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 depois da detecção de ao menos quatro casos de variantes do coronavírus na cidade. A mais recente foi a cepa P.1, conhecida como variante de Manaus ou brasileira, identificada na segunda (23).
 
De acordo com o decreto, as atividades administrativas e os serviços essenciais de manutenção de equipamentos ou infraestrutura nas escolas também deverão ser realizados de forma remota, quando possível, ou com escala mínima de profissionais. Diversas unidades de ensino já haviam retomado as aulas presenciais no início deste ano e agora, nos próximos dias, terão de voltar a desenvolver as atividades à distância.
 
No Colégio Politécnico, a mudança não deve gerar grande impacto. Na instituição, as aulas presenciais haviam sido retomadas apenas para os alunos do primeiro e segundo anos da Educação Infantil, no dia 1º de fevereiro. Para o terceiro ano do Ensino Fundamental ao último ano do Ensino Médio, as aulas são ministradas on-line há um ano, desde 25 de março de 2021. Com a determinação do prefeito, nos próximos dias, as crianças também passarão a acompanhar as aulas no ambiente digital.
 
Segundo a diretora do Politécnico, Sidnei Silva, a mudança não deve gerar obstáculos para os estudantes e professores porque, na escola, o ensino à distância foi adotado durante todo o ano passado. Desta forma, alunos e educadores adquiriram experiência com o formato. Apesar de considerar o modelo presencial “indispensável” no processo de ensino-aprendizagem, Sidnei acredita ser necessária a suspensão das atividades presenciais neste momento de agravamento da pandemia, para frear a disseminação do vírus. “Diante das circunstâncias, é uma medida necessária. Não é agradável, mas é necessária”, pontua.
 
Na Escola Portal, o retorno total para o ensino remoto igualmente ocorrerá sem problemas. De acordo com a diretora da unidade, Elíde Martins, os estudantes já estavam habitados a usar a tecnologia nas aulas presenciais antes mesmo da pandemia. Com o início da crise, os recursos também foram aplicados remotamente e, assim, tanto os educadores, quanto os estudantes ficaram ainda mais familiarizados com os recursos.
 
A vivência ao longo de 2020 também contribuiu para a retomada das aulas on-line sem adversidades no Anglo Sorocaba. Mesmo assim, a diretora geral do Colégio, Carol Lyra, diz estar preocupada com o fechamento das escolas. Segundo ela, as aulas presenciais não transmitem somente conhecimento técnico; auxiliam, ainda, no desenvolvimento das relações sociais e socioemocionais, porque promovem a interação do aluno com o educador e os colegas. “A escola é muito mais do que conteúdo. O conteúdo está na internet. A escola também promove a socialização, o desenvolvimento de habilidades sociemocionais. Com a escola fechada, o aluno perde tudo isso”, acredita.
 
 
Medida necessária
 
A presidente do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Sorocaba (Sinpro), Mara Kitamura, acha essencial o fechamento das escolas, por conta do atual cenário da pandemia de Covid-19. Para a representante da entidade, o período de suspensão das aulas presenciais deveria, inclusive, ser maior do que apenas cinco dias, conforme determinado por Manga. A medida é importante, completa ela, especialmente, devido ao aumento no número de novos casos da doença na cidade.
 
Além disso, afirma Mara, há registros de desrespeito às medidas de segurança e prevenção à Covid-19 em escolas particulares. De acordo com regra do Governo do Estado de São Paulo, as salas de aula devem funcionar com apenas 35% do total de alunos matriculados. Mas, em algumas delas, a ordem não é seguida. “As escolas estão voltando com 50% da capacidade de cada sala, o que dá mais de 35% dos Matriculados. Assim, não estão seguindo o Plano São Paulo”, alega. Ela afirma ainda que, quando confirmados casos de coronavírus entre alunos, os colegas de classe do estudante infectado são colocados em quarentena, mas os professores não.
 
Este fator, reforça Mara, pode favorecer a propagação do vírus, uma vez que o educador ministra aulas para entre sete e nove turmas e, geralmente, trabalha em mais de uma escola. “O número de casos aumentou, justamente, com a exigência do governador do Estado de São Paulo (João Doria, PSDB) para que as aulas presenciais continuassem”, opina.