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Notícias da Educação

Ensino superior: patronal ignora dez meses de negociação


Data: 06/04/2021

Fonte: Alex da Matta, Sinpro-Sorocaba, com informações da FEPESP


Os sindicatos integrantes da Fepesp irão se reunir para discutir o encaminhamento da negociação com as mantenedoras de instituições de ensino superior privado do Estado de São Paulo, diante de proposta encaminhada pelo Semesp nesta terça-feira (5), à Federação dos Professores do Estado de São Paulo.

Em sua proposta, o Semesp – que é o sindicato dos estabelecimentos de ensino superior privado em São Paulo – reclama das condições econômicas do país e das dificuldades impostas pela pandemia para rejeitar qualquer reajuste salarial ou correção de vencimentos por conta das perdas provocadas pela inflação de 2020 e 2021.
 
“Depois de dez meses de negociação e de um silêncio no início deste ano, o Semesp encaminha proposta formal que renega tudo o que foi negociado até agora. Falta seriedade nessa proposta”, diz Celso Napolitano, coordenador da comissão de negociação dos sindicatos. 
 
No processo de negociação entre a comissão dos sindicatos e o Semesp houve entendimento pela prorrogação das cláusulas existentes da convenção coletiva das professoras e dos professores por dois anos. Comunicados conjuntos foram assinados para esclarecer questões relacionadas a garantia semestral de salários em final de semestre e de homologações de dispensas. Mas a definição de propostas para os demais itens das convenções coletivas tem sido postergada pelo Semesp.
 
Apesar de ser um dos setores que melhor puderam enfrentar as restrições impostas pela pandemia - já que seus clientes, ou melhor, alunos, rapidamente se adaptaram ao ensino remoto, que era praticado antes do coronavírus na forma de sessões de ensino a distância – os estabelecimentos de ensino superior demonstram estar apenas interessados em manter números saudáveis em suas planilhas financeiras. 
 
Ao privilegiar o lucro sobre o resultado acadêmico, as IES desvalorizam e pauperizam seus profissionais, desprezam a necessidade de formação de profissionais qualificados para o desenvolvimento do país e, em última análise, se alinham à política de desindustrialização promovida pelo governo federal. “Esse desprezo por seus profissionais e pela formação superior, com o sucateamento do ensino  e desvalorização do docentes poderá colocar em jogo inclusive fatores importantes de soberania nacional”, diz Celso Napolitano. “A pandemia é apenas uma desculpa para continuar faturando enquanto finge estar educando”.
 
Aos professores, fica o alerta: todos serão chamados a se manifestar. Fique atento aos avisos e à convocação do Sinpro-Sorocaba. Nossa resposta à negligência das mantenedoras deverá ser coletiva, na defesa dos nossos direitos e na defesa da nossa vida.