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A VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR APOSENTADO


Data: 15/05/2018

Fonte: Joel Della Pasqua


No dia de hoje, 15 de maio, comemora-se o Dia do Professor Aposentado. Ao longo da evolução da profissão do docente, o trabalho do professor segue ganhando diversas (re)configurações. O trabalho docente há muito que não se refere, simplesmente, ao ato de apenas alfabetizar ou ensinar uma certa disciplina escolar.   
Erroneamente, ao longo do tempo, a sociedade olhou para o trabalho do professor como algo idealizado em que um mestre respeitado se vê cercado por seus discípulos ávidos de conhecimentos. Mas ao longo das décadas, a realidade do trabalho docente vem se descortinando e tornando explícito a realização de uma atividade que, cada vez mais, acoplam-se novas exigências e que, ao mesmo tempo, desvaloriza-se enquanto imagem simbólica e ganhos materiais. 
Nos dias de hoje, o professor deve levar um elenco de saberes para a sala de aula. O saber de sua formação profissional (o saber da didática do ensinar), o saber disciplinar (o saber do conteúdo da disciplina que leciona), o saber curricular (o saber diante do planejamento de um currículo comum e obrigatório), o saber experiencial (o saber que brota de sua experiência como ator social) e o saber emocional (o saber diante das relações afetivas inerentes às suas interações em sala de aula). A complexidade, portanto, diante das exigências de tal profissão, é algo inegável.
Ao final de uma carreira, o professor, diante da aposentadoria, pode olhar para seus anos de trabalho a partir de diversas perspectivas. Pode entendê-los como a jornada de um herói ou a jornada de um lutador que nem sempre venceu a batalha. Ou mesmo, das duas formas. Mas quiçá pudesse entender que venceu a guerra. Talvez essa última perspectiva não possa ser possível, não pela ausência de força e coragem do professor, mas porque a educação será sempre uma guerra ininterrupta. Uma batalha seguida de outra. E o professor aposentado seria o guerreiro que deixou o campo de batalha, mas que nunca poderá abandonar a guerra.  
Como toda atividade profissional, o trabalho do professor apresenta suas vulnerabilidades. Os anos sequenciais de trabalho colocam esses profissionais diante de diversos riscos. O estresse decorrente de uma rotina intensa de desgastes sociais e afetivos, ou de jornadas excessivas de trabalho, leva-os a estarem expostos a diversos problemas de saúde, como gástricos ou cardíacos. O contínuo movimento manual com o giz na lousa pode ocasionar lesões por esforços repetitivos (L.E.R). Além da exposição a crises de depressão, pânico, ansiedade e insônia decorrentes de uma atividade em que se depara, cotidianamente, com situações de agressões verbais, violência física e psicológica, considerando que nem sempre a sala de aula será um ambiente em que a hostilidade não fará parte. Some-se ainda casos de Síndrome de Burnout, em que o trabalhador, esgotado física e mentalmente, não encontra mais lógica e sentido no trabalho que realiza, mergulhando em um estado de gravíssima depressão. 
Diante de tamanha exposição a riscos, a legislação do trabalho docente, ao longo dos anos, considerou o trabalho do professor como penoso e insalubre. E concedeu a esse profissional a aposentadoria com menos tempo de serviço. A Constituição de 1988 manteve tal benefício à categoria dos professores, ainda que o decreto 2.172/97 tenha excluído o enquadramento da classe de professor como atividade penosa.
Nos dias atuais, diversos professores aposentados retornam às atividades docentes, pelos mais diversos motivos, que vão de questões financeiras a uma identificação com o trabalho educacional e, desse modo, a necessidade de retorno. O fenômeno não ocorre apenas no Brasil, mas também em diversos países, sendo que quanto mais dinâmicas se tornam as relações sociais, mais as pessoas se veem inclinadas a ampliarem o ciclo de suas capacidades vitais. Some-se também o fato de que, no Brasil, o aposentado se vê colocado diante de uma série de preconceitos e estigmas ligados ao idoso e à ideia de inatividade. Uma enorme contradição brota, assim, no seio de uma sociedade, que, por um lado, advoga o direito inalienável da aposentadoria e, por outro, discrimina e desvaloriza a pessoa aposentada. 
O Brasil carece de dimensionar e apresentar reais perspectivas aos profissionais aposentados, entre eles, os professores. Nesse sentido, imperativo a definição de uma política que valorize o professor aposentado e que lhes ofereça os mecanismos de plena dignidade após os longos anos de docência. 
O Sinpro-Sorocaba saúda todos os docentes aposentados do Brasil e lhes deseja um feliz e honrado Dia do Professor Aposentado.